Estudo histórico e filológico do Portugues
Portugués. Características. Lingua románica. Galego. Divergencias fonéticas, morfo-sintácticas, léxico-semánticas, pragmáticas

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Extensão geográfica

Pela sua extensão geográfica e número de falantes o português é a sétima língua do mundo. 200 milhões de pessoas têm-na como língua materna (dos quais 185 se acham no Brasil). Os territórios de fala portuguesa têm uma extensão de 10.780.000 km² que se repartem do seguinte modo:
Países aos que a língua portuguesa chegou por causa das conquistas:
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Brasil: 8.516.965 km².
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Angola: 1.246.700 km².
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Moçambique: 799.380 km².
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Guiné - Bissau: 36.125 km².
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Timor - Leste: 15.007 km².
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Cabo Verde: 4.033 km².
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São Tomé e Príncipe: 964 km².
Países de origem da língua portuguesa:
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Galiza: 29. 575 km².
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Portugal: 91.985 km².
Podemos afirmar que o português é a única língua do mundo oficial em quatro continentes:
Europa: Portugal e Galiza.
América: Brasil.
África: PALOPS (Angola, Moçambique, Guiné - Bissau, Cabo Verde e São Tomé).
Ásia: é cooficial em Timor - Leste.
Características
O português dentro das línguas românicas
O português deriva do latim, língua que provêm do indo-europeu. O antigo Império Romano dividiu-se em várias zonas nas que a língua evolucionou de formas diferentes:
Galorromania.
Italorromania.
Iberorromania.
Balcanorromania.
Na Iberorromania o latim deu lugar ao castelhano, o galego - português (ou romanço ocidental) e o catalão, ainda que esta última língua é considerada uma ponte entre as línguas iberorromânicas e as galorromânicas.
Nos séculos XVI e XVII linguistas espanhóis como Valdés defenderam a unidade linguística da Península Ibérica com o castelhano como centro.
No século XVIII figuras como o Padre Feijoo (Teatro crítico universal) ou o Padre Sarmiento criticaram a teoria anterior, defendendo que português e castelhano eram dúas línguas diferentes.
Português e castelhano têm muitos parecidos a nível de vocabulário, mas não é assim na fonética:
O português tem uma fonética histórica.
Os grupos latinos -pl-, -cl- e -fl- pasan en galego e português a -ch-:
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Plorare > chorar
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Clave > chave
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Flamma > chama
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Pérdese o -l- latino:
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Palu > pau
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Pérdese o -n- latino:
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Hermano > irmão, irmán
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Luna > lúa
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Pérdese -ll- e -nn-:
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Caballo > cavalo
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Anno > ano
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Galego e português
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Padre Feijoo: nega que o galego seja uma corrupção do castelhano e inclui-o dentro da língua lusitana afirmando que o galego - português passou da Galiza a Portugal, o que causou muita polémica na época.
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Gregorio Mayans y Siscar (Orígenes de la lengua española, 1737) afirma que galego e português são a mesma língua, mas é mais forte o português por ter uma importante literatura.
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Divergências entre galego e português
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Fonéticas:
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No galego não há sibilantes nem palatais sonoras. Exemplo: casa/caça; jardim, já, deixar.
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No galego existe o som []. Exemplo: corazón, zapato.
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No português há ditongos nasais, em galego não. Exemplo: irmão/irmán, coração/corazón, organização/organización.
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Morfo - sintácticas:
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Presente de conjuntivo:
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Em português existe tudo (neutro), todo (masculino) e toda (feminino).
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Segunda pessoa do plural do presente:
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Colocação do pronome átono:
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Enclítico (depois)
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Proclítico (antes)
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Mesoclítico (no meio). Este é o caso dos pronomes pessoais no futuro.
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Léxico - semânticas: há palavras e expressões com matizes semânticos diferentes em galego e em português. Os vocábulos pertencentes a cada variante recebem o nome de galeguismos, lusitanismos, brasileirismos, angolanismos... Exemplos:
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Bágua é uma palavra comum no galego, mas no português é de uso regional.
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Pólo é em galego o filho da galinha, mas em português pode ser o filho de qualquer ave, sendo o filho da galinha o frango.
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Falsos amigos:
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Aborrecido: “ aburrido”.
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Bestial: significado positivo.
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Espantoso: significado positivo.
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Esquisito: raro, estranho (não gostoso ou saboroso)
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Pragmáticas ou de uso. Exemplo:
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Está frio/ calor (Portugal)
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Faz frio/ calor (Brasil)
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Vai frío/ calor (Galiza)
O galego e o português foram-se separando até que no século XVIII moitas pessoas chegaram a considerá-las línguas independentes. Mas surgem posturas como a do Padre Feijoo ou Gregorio Mayans y Siscar que defendem a proximidade das duas línguas:
| Presente de indicativo | Presente de conjuntivo |
| Posso, podes, pode | Possa |
| Faço, fazes, faz | Faça |
| Perco, perdes, perde | Perca |
| Meço, medes, mede | Meça |
| Peço, pedes, pede | Peça |
| Galego | Português |
| Cantades | Cantais |
| Comedes | Comeis |
| Partides | Partis |
| Colocação no presente e no passado | Colocação no futuro |
| Vê-los | Vê-lo-ei |
| Via-los | Ver-nos-ás |
| Vira-los | Vê-los-ás |
O pronome pode-se antepor por causa dum que (Dizia que o veria, digo que o verei). No Brasil não existe o pronome enclítico.








